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Paulo Salgueiro

Paulo Salgueiro

Foi no, mais ou menos, longínquo ano de 1989 que iniciei, na escola primária dos Assentos (era assim denominada nessa altura) o meu percurso escolar. Não deve ter sido assim há tanto tempo, pois recordo-me perfeitamente do primeiro dia de aulas. Que tremenda confusão! Queria voltar para o conforto da “minha

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pré-primária” que ficava na cave do meu prédio nos Assentos, bairro “dos índios” onde nasci e cresci, e do qual guardo as melhores recordações. Após esse primeiro dia tenho apenas “flashes” de um ou outro episódio sucedido nesses tão importantes anos da minha formação. A minha professora primária era a Professora Maria Amélia Quezada que fora também professora do meu irmão e da minha mãe o que, de certa forma, me fazia sentir algo “privilegiado”. Lembro-me também, dos então meus colegas e, agora meus amigos. Há, de facto, muitos colegas desse tempo que são atualmente meus amigos. Essa amizade duradoura é também, sem dúvida, fruto do trabalho escolar desenvolvido o qual muito agradeço pois sinto sinceramente que contribuiu para construir a minha personalidade. A passagem da “quarta classe” para o ciclo fez-se com bastante naturalidade pois comigo progrediram uma grande parte dos meus colegas. Colocaram-nos inicialmente, e por pouco tempo (creio que um período letivo), na escola Cristóvão Falcão para irmos depois inaugurar a Escola José Régio. E que bom que é inaugurar uma escola! É uma sensação que se assemelha à mudança para uma casa nova ou à estreia de um carro novo. Foi, portanto, como dizia, muito fácil a adaptação à “nova realidade” apesar de todas as mudanças implicadas (vários professores, diferentes salas de aula, horários marcados, etc). O balanço dos anos do 2º e 3º ciclos é bastante positivo! Positivo em aprendizagem e também em camaradagem! Afinal de contas eramos nós os verdadeiros “donos da escola” pois pertencíamos às primeiras turmas (de A a D) que, na escola nova, fizeram o percurso de 5 anos, do 5º ao 9º. A transição para o ensino secundário teve como consequência o desmembramento da nossa turma B sendo que, o meu grupo, que escolheu a área de científico-natural, seguiu para o liceu (Escola Secundária Mouzinho da Silveira). R

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ecordo-me bem de, no liceu, o grupo que provinha das escolas do “bairro dos índios”, ter sido recebido com alguma apreensão pelos pares e professores. Esse preconceito foi rapidamente desfeito pelo nosso desempenho e pela capacidade de adaptação que caracteriza a população dessa faixa etária. Vivo há 10 anos no Porto onde sou gastrenterologista no Centro Hospitalar do Porto e docente de Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar continuando a sentir saudades das gentes e escolas do “bairro dos índios”.
2019-03-30T20:04:35+00:00
Foi no, mais ou menos, longínquo ano de 1989 que iniciei, na escola primária dos Assentos (era assim denominada nessa altura) o meu percurso escolar.

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